quarta-feira, 27 de abril de 2011

Disperção

     

            Hei mãe, eu devia te ouvir, mas acontece que lá fora é muito perigoso pra viver, e eu precisava ver pra crer.  Proteger-me não me parecia muito seguro porque "cego não sobrevive a  tiroteio."

Hei mãe, você pode não me ouvir agora, mas não houve um só segundo que isso não me endureceu por dentro. Eu me entorpeci e me fechei tentando entender, “mas nenhum homem é uma ilha” é que o ditado diz. Ele não esta errado.
Hei mãe, bem que você disse que quem fala demais o que vai fazer só fala e não faz nada. Bem que você disse mãe, pra eu parar de correr atrás de respostas e pensar, porque a maioria delas estava comigo o tempo todo. Mas eu precisava ver com meus próprios olhos. Não me culpe por isso, todo passarinho um dia tem que voar.
Agora eu sei que tarde demais, só nunca, e que se eu me perder de você só preciso olhar pra dentro de mim pra te achar.